Prisioneira de Ayres
Os olhos se abriram vagarosamente. O Senhor havia chegado. Ele tinha os olhos e barba brancos. Os seus cabelos eram alvos, muito claros e reluzentes. Sua longa barba reluzia ao branco flamejante da saleta. A Prisioneira era tão bela que poderia seduzir qualquer homem da esfera terrestre. Era a própria Afrodite, mas ainda mais graciosa e majestosa. — Senhor de Ayres, lhe agradeço pela preocupação, mas é mister sentir remorso... Sabe, meu senhor, eu sinto que estou casta, tal como nunca estive — dissera a Prisioneira sussurrando com uma voz suave e melodiosa (sempre sussurrava docemente, era calma e austera ao expressar-se). O Senhor pôs-se mais a frente vagarosamente e articulara: — Sim, minha senhora, sinto que estás casta. Porém que habitares Ayres como prisioneira pelo pecado que te carregas desde o nascimento. Prometa-me que não mais perturbarás o sonho de outro mortal — este tem a voz grave e bela, como a voz de um vigoroso homem. ...