A menor distância entre dois pontos é um arco

Sempre me perguntava por que haviam escolhido Stephen para ser o capitão de nossa esquadra. Ele era um homem inteligente e agradável, nos tratava muito bem, mas não parecia ter coragem suficiente para ficar à frente de nosso batalhão. Era mais reservado, quase tímido. Felizmente, naquele dia especial, tive a oportunidade de ir junto de sua tripulação na nave de escolta da Colônia Espacial “Terra 7”.


Nosso objetivo era verificar se aquele planeta estranho, com suas duas luas esverdeadas, era habitável. Nossa expedição procurava um posto avançado para estabelecer uma colônia e este era o melhor ponto estratégico (militar) que havíamos encontrado, além de conter uma biosfera adequada à vida.

Quando nossas naves se aproximaram, um enxame de criaturas estranhas surgiu detrás das luas. Após isso ouvimos um zunido extremamente alto que quase nos enlouqueceu. Mas Stephen continuava lá, calmo e impassível. Como ele conseguia?

O zunido intermitente logo cessou. Quando olhei a tela do computador de bordo, uma mensagem direcionada a mim prendeu minha atenção. As letras flutuantes aguardavam uma resposta:

- Prazer em conhecê-la Lisa. O que deseja em nossos domínios?

Olhei assustada para Stephen e este apenas sussurou:

- Eles estão sondando nossas mentes... São telepatas. Tome cuidado com o que irá pensar.

Cuidado com o que eu iria pensar? Eu estava apavorada. Aquelas criaturas pareciam hierodulas gigantes. Eu detestava insetos! Esperava homenzinhos de olhos verdes esbugalhados ou qualquer outra coisa, menos insetos! Stephen tentou me acalmar mencionando que fazia muito sentido, pois se a Terra não fosse dominada pelo homem, seria pela sua cadeia de insetos (infinitamente superior em número à humanidade). Mas aquilo não estava ajudando, ainda mais com o que ele viria a dizer.

- Eles sabem!
- Sabem o quê?
- Onde fica a Terra. E também sabem do que somos capazes. Disseram-me que pretendemos dominá-los e conquistá-los, assim como fizemos com seus antepassados em nosso planeta. Isso não é nada bom. Metade da esquadra está pensando em atacar - eles ainda não entenderam que eles podem ler nossas mentes. Se os atacarmos aqui, eles farão o mesmo, pois sabem de onde viemos. E ironicamente sua tecnologia não é superior à nossa, mas seus efeitos são devastadores.
- E porque não vamos direto ao planeta em questão? Ele fica bem atrás de suas luas. Pelo que estudamos de seu habitat, não há fauna ativa, apenas flora. Com o poder bélico destas naves, conseguiríamos passar por cima deles facilmente seguindo uma linha reta.
- Não. Há algo estranho em sua atitude. Se eles não tivessem protegendo algo, não viriam todos ao nosso encontro de forma aparentemente desprotegida.

E o pior é que fazia sentido. Por mim, conhecendo o ditado antigo "a menor distância entre dois pontos é uma reta", nós já tínhamos atravessado o paredão. Mas Stephen procurou entender o que os preocupava. O mais óbvio era o medo de sermos "inseticidas" para sua espécie.

- Vamos dar a volta.
- O que? - perguntei.
- Ha outro planeta após este cinturão que poderemos colonizar.

(...)

Um bom tempo mais tarde fui compreender o que havia ocorrido e finalmente entendi porque aquele homem havia sido escolhido para ser o capitão da esquadra. Ele procurou entender o que os afligia e após isso explicou o ponto de vista da humanidade, resultando em um acordo diplomático - um terceiro ponto de vista. Duas mentes trabalharam juntas e chegaram à uma terceira alternativa, que beneficiaria ambos os lados. Se ele tivesse lançado a esquadra para cima, como sugerido por muitos, teríamos muitas baixas para ambos os lados e provavelmente teríamos perdido não apenas um novo lar, mas nosso atual.

Isto com certeza exigiu muita coragem e iniciativa. Ainda mais descobrindo que seu contato telepático alcançava seus "irmãos perdidos", que secretamente mantinham contato com seus "evoluídos". O planeta protegido por eles continha uma tecnologia perdida há muitas eras, que ao simples contato humano poderia dizimar metade da galáxia. Todos sairiam perdendo.

Então cheguei a conclusão de que estava errada. Aprendi com ele que "a menor distância entre dois pontos é um arco", e não uma reta. Uma reta ao ser dobrada ao meio bruscamente, quebra. Já um arco não - a busca pela terceira alternativa.

Mas ainda fico pensando: o que ao simples toque humano poderia destruir metade da galáxia? Hum... Poderia ser... Meu Deus, então era isso?!
Brian Oliveira Lancaster

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