A Origem da Vida - parte 3

Há também o problema inverso. Organismos diferentes, submetidos às mesmas regras ambientais, frequentemente interagem para melhorar suas chances de sobrevivência. Tal convergência, se é forte, mascararia as provas de uma aparição independente. A seleção dos aminoácidos, por exemplo, pode ter sido otimizada pela evolução. Uma vida que tenha começado utilizando outros aminoácidos pode ter evoluído ao ponto de, finalmente, adotar os que hoje usamos.

A dificuldade é exacerbada pela existência de duas teorias da biogênese, primeiro estágio da evolução da vida. Uma sustenta que a vida começou por uma transformação súbita, levada talvez por uma mudança de complexidade química num sistema não necessariamente formado por uma única célula. A vida primitiva poderia ter surgido de uma comunidade de células que trocavam entre si materiais e informações, antes mesmo da autonomia celular e da individualização das espécies. A outra teoria defende a idéia de um continuum que se estenderia da química à biologia, sem que alguma demarcação clara, especialmente um "nascimento da vida", pudesse ser identificada.

Definir o que é vida pode ser algo delicado. Fundada sobre uma propriedade (a estocagem e a utilização de informações, por exemplo) que marcaria uma transição bem definida entre o vivo e o inerte, conduz à ideia de que pode ter uma ou várias origens. Baseada em uma complexidade organizada, apresenta raízes imprecisas que podem se dissolver sem traços no domínio da química. A ideia de origens independentes para diferentes formas de vida também é questionável, a menos que os organismos estivessem separados uns dos outros, sem interação possível, como em planetas diferentes. Não estudamos mais que uma ínfima fração da população microbiana da Terra. Se as provas de uma segunda origem um dia forem conhecidas, confirmariam o determinismo biológico e consagrariam a vida, de fato, como um imperativo da natureza.

AS NANOBACTÉRIAS

Examinando sedimentos de 200 milhões de anos extraídos do fundo do mar ao largo da costa oeste da Austrália, Philippa Uwins, da Universidade de Queensland, descobriu minúsculas estruturas de 20 a 150 nanômetros de comprimento. Esses elementos foram multiplicados em laboratório e as análises mostraram que contêm DNA. No entanto, os resultados são contestados. As menores bactérias medem cerca de 200 nanômetros de diâmetro. Organismos autônomos, de acordo com as normas de vida conhecidas, não podem ser menores, porque precisam abrigar os ribossomos. Cada uma dessas estruturas, que fabricam proteína, mede de 20 a 30 nanômetros de largura. Organismos autônomos do tamanho dos descobertos por Philippa Uwins funcionariam sem ribossomos e constituiriam uma nova forma de vida.


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